Fator R explicado para médicos: 6% ou 15,5% no Simples Nacional?
Planejamento Tributário17 de junho de 20267 min de leituraRevisado em 28 de agosto de 2026

Fator R explicado para médicos: 6% ou 15,5% no Simples Nacional?

Equipe Mediccont

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Dois médicos. O mesmo faturamento. O mesmo Simples Nacional. Um paga 6%, o outro 15,5%. A diferença tem nome, está prevista em lei complementar, e a maioria dos médicos não sabe que ela existe. Chama-se Fator R.

Imagine dois consultórios idênticos: mesma receita, mesmo regime, mesma especialidade. No fim do ano, um pagou pouco mais de R$ 10 mil de imposto. O outro pagou quase R$ 28 mil. Pelo mesmo trabalho.

Não é sorte, nem brecha. É uma única conta que decide em qual tabela do Simples Nacional a sua PJ vai cair, e a maioria dos médicos está na tabela errada, pagando mais que o dobro, sem perceber.

O que é o Fator R

O Fator R é o cálculo que define se a sua PJ médica será tributada pelo Anexo III (alíquotas a partir de 6%) ou pelo Anexo V (alíquotas a partir de 15,5%). É só uma divisão:

Fator R = folha dos últimos 12 meses ÷ receita bruta dos últimos 12 meses.

A folha inclui salários, pró-labore, INSS, FGTS, 13º e encargos. Se o resultado for ≥ 28%, a empresa vai para o Anexo III. Se for < 28%, fica no Anexo V.

(Base legal: §§ 5º-J e 5º-M do art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006.)

O ponto que torna isso decisivo para você: a medicina está sujeita ao Fator R. Seu consultório não tem um anexo fixo: ele transita entre o III e o V conforme essa conta. Ou seja, a alíquota que você paga é, em boa parte, uma escolha de gestão.

6% ou 15,5%: quanto isso custa de verdade

Veja o impacto em uma clínica que fatura R$ 15 mil por mês (R$ 180 mil no ano):

Anexo III (Fator R ≥ 28%)Anexo V (Fator R < 28%)
Alíquota inicial6%15,5%
Imposto no ano (sobre R$ 180 mil)R$ 10.800R$ 27.900
Diferença(referência)+ R$ 17.100 por ano

Mesmo perfil de atendimento, mesmo faturamento, mesma estrutura, e mais que o dobro de imposto por estar no anexo errado.

A chave que poucos médicos giram: o pró-labore

É aqui que a conta costuma travar. O médico costuma ter uma folha enxuta: poucos funcionários, às vezes nenhum. À primeira vista, parece impossível chegar aos 28%.

Só que o pró-labore do sócio entra na conta da folha. É ele, na maioria dos consultórios, que faz o Fator R "fechar" os 28% e destravar o Anexo III.

Na clínica que fatura R$ 180 mil/ano, a folha somada ao pró-labore precisa atingir, ao longo de 12 meses, pelo menos R$ 50.400 (28%) para garantir a alíquota menor. É um número alcançável, desde que calibrado de propósito, e não por acaso.

E é exatamente aqui que mora o erro clássico: o médico minimiza o pró-labore para economizar INSS no curto prazo. O Fator R cai abaixo de 28%, a clínica despenca para o Anexo V e passa a pagar muito mais no Simples. Economia de tostão, prejuízo de milhares.

Por que não é "só aumentar o pró-labore"

Seria fácil demais. Elevar o pró-labore tem custo: INSS e IRPF incidem sobre essa remuneração. O ponto ótimo é uma conta: a economia ao sair do Anexo V (15,5%) para o III (6%) precisa superar o custo de elevar a folha. Na grande maioria dos casos compensa, e muito, mas o quanto e em que nível de pró-labore é cálculo, não chute.

Há ainda o fator tempo. O Fator R é recalculado todos os meses, sempre sobre os últimos 12 meses. Cresceu o faturamento e a folha não acompanhou? No mês seguinte você pode cair para o Anexo V sem nem perceber. Não é uma decisão tomada uma vez, é um monitoramento contínuo.

O detalhe de 2026

A Reforma Tributária acrescentou uma camada. Em 2026, a base de 12 meses ganhou dupla função: além de definir o seu anexo, ela observa o sublimite que pode obrigar o recolhimento dos novos tributos (IBS/CBS) por fora do DAS. Na prática, acompanhar o Fator R deixou de ser apenas uma conta de alíquota e virou também uma conta de regime. Mais um motivo para não deixar isso no piloto automático.

O que está em jogo

Para o médico, o Fator R é a diferença entre uma PJ que paga 6% e uma que paga 15,5%, recalculada mês a mês. Mal calibrada, ela devolve em imposto tudo o que a estrutura prometia economizar. Bem calibrada, entrega a alíquota mais baixa disponível para a atividade médica no Simples Nacional, dentro do que a lei prevê.

A pergunta não é "quanto custa o Simples". É: você está na tabela certa?

6% ou 15,5%? A conta é sua. Fazê-la render é com a gente.

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Revisado em 28 de agosto de 2026 por Equipe Mediccont, com os parâmetros fiscais vigentes em 2026: tabela do IRPF e teto do INSS do ano, alíquotas do Simples Nacional (LC 123/2006) e as regras já publicadas da Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025). Publicado originalmente em 17 de junho de 2026. Legislação e alíquotas mudam: confirme os números com a sua contabilidade antes de decidir.

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